Esta
parábola do semeador é quase igual à dos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas, à
exceção de divergências insignificantes. O que é notável em todos os textos é o
fato de ter o semeador – que é o Filho do Homem – lançado a semente da palavra
de Deus indistintamente em terrenos bons e maus. Segundo a nossa
agronomia, não devia ter semeado no caminho, no rochedo e nos espinhos, mas
exclusivamente em terra boa. Mas, como o principal da parábola não é o símbolo
material, e sim o simbolizado espiritual, o procedimento do semeador
é correto; não concorda com a agronomia material, mas condiz com a agronomia
espiritual, onde o campo é a alma humana dotada de livre arbítrio. O solo
físico não pode modificar a sua receptividade; mas o solo metafísico, humano, é
responsável por sua receptividade, maior ou menor. Sendo a semente a própria
palavra de Deus, sempre ótima, a sua diferença de produção não corre por conta
da semente, mas por conta do terreno em que é semeada, isto é, a alma humana.
A
parábola visa, portanto, a advertir os homens da sua responsabilidade em face
da semeadura espiritual; os terrenos improdutivos da humanidade são culpados
por sua improdutividade. O livre arbítrio humano é responsável pelo fato de
produzir nada, pouco ou muito.
Aqui
está mais uma apoteose do livre arbítrio do homem, sempre de novo negado por
certos cientistas incompetentes. O livre arbítrio existe potencialmente em todo
ser humano normal; mas a sua atualização depende do desenvolvimento da
consciência de cada um. As leis cósmicas produzem não somente creaturas
creadas, mas também creaturas creativas. Estas últimas podem crear-se melhores
ou piores do que Deus as creou. A semente da palavra de Deus é ótima, mas o
terreno humano é variável: mau, bom, ótimo.
Comentário
do Blog – ATMAN: Aqui
vemos, mais uma vez, a evidência de que nós somos os únicos responsáveis pela
nossa evolução e consequente iluminação. Apesar de restrito aos planos de manifestação
mais densos, é o livre arbítrio a única chave que abre a porta da evolução e sem
ele, não há como fazer a semente da “Palavra
da Creador” germinar em nosso interior.
Considero o livre arbítrio uma ilusão, quando focamos o plano
mais amplo da manifestação do Creador, posto que, sendo Ele Onipotente, não
seria possível haver outro livre arbítrio além do Dele. Isso só seria possível
num plano ilusório, que é o plano onde imaginamos existir. Mas dentro da ilusão,
sendo ele possível, também é o caminho para provar nossa inconsistência perante
o Creador e nos desiludir do que vemos e sentimos e, consequentemente, nos
iluminando (*).
O caminho da iluminação é a desilusão (**), posto que a antítese
(***) de uma Tese Creadora, não teria outro caminho senão a sua própria
falência, transformando-se em Síntese provada, ao comprovar a Tese inicial.
(*) A iluminação é a própria ação de se
transformar em Luz, ou seja, a ação de nos tornarmos Uno com o Creador e
voltarmos a ser conscientes de que Somos o próprio Creador.
(**) Desiludir-se é a ação de, por vontade
própria, usando nosso livre arbítrio, dentro da ilusão, sair dela. Sair da
ilusão é reencontrar a Verdade e reencontrar a Verdade é reencontrar o Creador
e ser uno com Ele.
(***) Nossa condição de antítese é
necessária, pelo processo utilizado pelo próprio Creador, para dar continuidade
à Creação. Não se sabe nem se pode saber onde tudo começou e para onde vai ou
se vai acabar. O que sabemos é que somos temporários no plano físico que, em
conjunto com a Obra tem que ser eterno, posto que Tese, antítese e Síntese
coexistem num só momento, o Presente. Não percebemos este contexto, por conta
de sermos inconscientes do que realmente somos, enquanto neste plano.
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